domingo, 27 de fevereiro de 2011

carta à marildinha











Incrível descobrir que o maior aprendizado da vida é a morte.
Incrível como não se ensina na escola
– antes mesmo de português e matemática -, a despedida.
Existia uma poesia, achei que era pra mim.
Quis dá-la por falta do que falar.

Pensei sobre essa condição imposta,
não há lado bom em vivê-la. Não há.
Refleti no banho, antes do abraço.
Refleti durante uma viagem silenciosa e entendi:
não há consolo.

Quem diz que nada é eterno nunca perdeu ninguém.
A dor se acomoda num cantinho, mas não some.
E depois disso, o sol nascerá e morrerá diferente.
É outra vida que surge (e há quem aproveite).

Ela não sabe ainda, mas eu já posso ver.
Marildinha é uma borboleta saindo do casulo apertado,
pronta pra chorar a luz forte do sol do meio-dia,
pronta pra chorar o vento fresco que secará seu rosto.

Quem diz que não há absolutamente nada eterno,
nunca teve que recordar aquela última vez.
E junto as minhas cinzas, quero que queimem:
“a ela, que soube viver mesmo com a dor das perdas”.


**


"O que é entristecível continuará
O que é risível, deleitoso, também.
Continuará a vida, repetitiva.
Novíssima continuará a vida.
Só vida. Nua. Vida."


Adélia Prado

2 comentários:

muunha disse...

no coments. senza parole. baci.

Gi disse...

Incrível. Não tenho o que dizer. Só desejar toda a luz que a Marildinha vai precisar para passar por isso.